sábado, 4 de setembro de 2021

Afeganistão, o que está acontecendo?

Afeganistão, o que está acontecendo?


Para que entendamos o que está ocorrendo no Afeganistão voltemos para o que o ocorreu com os Estados Unidos em 2001. Depois dos atentados das Torres Gêmeas os Estado Unidos invadiu pela segunda vez o Afeganistão, afim de acabar com o estado do Al-Qaeda (Grupo liderado pelo Osama bin Laden), que alegou na época ser o autor desses atos terroristas.

Os objetivos dos Estado Unidos, dentre outros, foram construir um país democrático. O Afeganistão, porém, é um país extremamente complexo e um cemitério de impérios, resumindo: No século XI o Afeganistão já era um país totalmente convertido ao islã devido ao domínio do Império Gasnévida. Em 1979 houve uma invasão da antiga União Soviética para um golpe de estado.

Lembra do filme Rambo 3? Os Mujahidins, grupo de mulçumanos rebeldes, são exaltados e tem apoio do próprio Rambo🤭 no filme.

Voltando a realidade esses grupos, com apoio dos Estados Unidos, puserem fim ao grupo soviético em 1992.

Com o desinteresse dos EUAs e sua primeira retirada, ainda nos anos 90, os grupos apoiados por ele se dividem, dentre eles o Talibã - cujo nome significa estudante - cada um com seus próprios interesses o que acabou culminando em guerras dentro do país sustentada principalmente pela papoula (matéria prima de drogas pesadas).


Por que os Estados Unidos saíram do Afeganistão pela segunda vez?

O presidente atual dos Estado Unidos, Joe Biden, deu continuidade ao que o ex-presidente Trump e líderes do Talibã propuserem, sendo um Tratado de Paz do ano de 2020 para retirar suas bases militares do país, caso o Talibã cumprissem todas as regras desse tratado.


Retirada dos EUAs do Afeganistão


Joe Biden foi apressado ao pote e a maneira que foi conduzida esse retirada gerou toda a confusão que estamos presenciando.

A credibilidade dos Estados Unidos ficou abalada mundialmente, com essa saída abrupta, e deu espaço para que a China e Rússia fiquem mais próxima do regime existente no Afeganistão - em especial a China por interesse na infraestrutura na região.

Quando chegou o evangelismo no Afeganistão? 

Segundo Eusébio de Cesareia, pai da história primitiva da igreja cristã, os apóstolos Tomé e Bartolomeu evangelizaram o Noroeste do Afeganistão no século 2.

Com o tempo o cristianismo foi decaindo devido à forte influência de correntes radicais de alguns islamitas e hoje não se tem relatos oficiais de igrejas cristãs no país. 

Missionários no Afeganistão

A situação do povo sempre foi caótica desde de 1996, quando Talibã tomou totalmente o poder no país. Devido as suas aplicações de leis rígidas as pessoas eram julgadas à revelia, todos deveriam seguir o toque de recolher que acontecia a partir das 18 horas, os jovens não tinham nenhuma perspectiva de vida e a única alternativa era participar da guerra como soldados do grupo Talibã.

A economia do país afundou após a saída dos soviéticos e a moeda local era extremamente fraca, muitas pessoas passaram a mendigar por comida ou por um pouco de dinheiro e a expectativa de vida da população era baixo em torno de 40 anos.

As mulheres eram as suas maiores vítimas, pois não tinham liberdade de sair de suas casas sem a companhia de um homem, não podiam estudar, não poderiam ter atendimento no sistema de saúde caso o médico fosse do sexo masculino, eram obrigadas a usar a burca, não podiam trabalhar e muitas casavam antes dos 16 anos de idade forçadamente.

Se a situação para o povo era difícil para os missionários cristãos não deveria ser diferente ou até mesmo pior. Tanto os homens cristãos como as mulheres cristãs enfrentavam graves ameaças, como: morte, assassinato, prisão, tortura ou isolamento. 

As mulheres cristãs sofriam, além dos fatos citados acima, de abuso físico e não tinham autonomia na sociedade e nenhuma liberdade financeira. Caso expusessem a sua fé poderiam morrer ou se tornarem escravas sexuais.

Afeganistão agora

O povo ainda tinha um pouco de liberdade com a presença americana, mas com a retirada de suas tropas no país mais o fato de os EUAs terem gasto milhões nas tarefas militares, mas não houve uma ajuda econômica e humanitária na mesma proporção de forma a criar um estado nacional unificado, o terror do passado volta a mente de todos os cidadãos afegãos.

Representantes do Talibã, porém, afirmam que não agirão da mesma forma como em alguns anos atrás, mas o que se têm praticado não condiz com o que dizem, já que muitas mulheres estão sendo impedidas de retornar aos seus postos de trabalho e as pessoas não têm as mesmas liberdades de outrora.

Relação China e Afeganistão

O Afeganistão fica no meio da Ásia entre a China, Paquistão e Irã. Devido a sua proximidade com o território chinês e a sua localização estratégica - sendo uma passagem entre o Orienta e a Ásia -  há um grande interesse econômico e político entre os dois países. 


Mapa do Afeganistão


Contudo a China já atuava no país no setor de energia e mineração e mantinha uma relação diplomática e econômica desde o governo do ex-presidente Ashraf Ghani. Se o Afeganistão se firmar politicamente a China deverá investir ainda mais no país, podendo se tornar o seu maior financiador.

“É possível que a China desenvolva uma assistência de segurança para o regime do Talibã no futuro, mas não acredito que isso ocorrerá agora”, disse Laurel Miller, diretora do Programa Ásia do International Crisis Group, uma organização independente cujo objetivo é prevenir guerras e moldar políticas.

Ainda é cedo para afirmar como será daqui para frente as relações entre China e Afeganistão, mas é certo que o governo chinês está demarcando o seu espaço na região deixada pelos EUAs de forma tão apressada e desastrosa.

O que fazer pelo Afeganistão?

O que se deve fazer neste momento é orar e jejuar por esse povo e pelos demais irmãos e irmãs que vivem nesse país tão hostil.

A possibilidade de aliança com a China, que também tem em seu histórico perseguição aos cristãos, pode torna-lo ainda mais arriscado para o projeto de evangelismo.

Talvez não entendamos completamente essas e outras ações em seu contexto global, mas o certo é que devemos buscar a direção em Deus através das nossas orações, leitura bíblica e nunca deixarmos de proclamar fé.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

  Quando a pressão vem de onde menos esperamos Perseguição, pressões espirituais, Neemias 6:10, discernimento, confiar em Deus. Em Neemias ...