Para que entendamos
o que está ocorrendo no Afeganistão voltemos para o que o ocorreu com os
Estados Unidos em 2001. Depois dos atentados das Torres Gêmeas os Estado Unidos
invadiu pela segunda vez o Afeganistão, afim de acabar com o estado do Al-Qaeda
(Grupo liderado pelo Osama bin Laden), que alegou na época ser o autor desses atos
terroristas.
Os objetivos dos
Estado Unidos, dentre outros, foram construir um país democrático. O Afeganistão, porém, é um país extremamente
complexo e um cemitério de impérios, resumindo: No século XI o Afeganistão já
era um país totalmente convertido ao islã devido ao domínio do Império
Gasnévida. Em 1979 houve uma invasão da antiga União Soviética para um golpe de
estado.
Lembra do filme Rambo 3? Os Mujahidins, grupo de
mulçumanos rebeldes, são exaltados e tem apoio do próprio Rambo🤭 no filme.
Voltando a realidade esses grupos, com apoio dos
Estados Unidos, puserem fim ao grupo soviético em 1992.
Com o desinteresse dos EUAs e sua primeira
retirada, ainda nos anos 90, os grupos apoiados por ele se dividem, dentre eles
o Talibã - cujo nome significa estudante - cada um com seus próprios interesses o que
acabou culminando em guerras dentro do país sustentada principalmente pela
papoula (matéria prima de drogas pesadas).
Por que os Estados Unidos saíram do Afeganistão pela segunda vez?
O presidente atual
dos Estado Unidos, Joe Biden, deu continuidade ao que o ex-presidente Trump e
líderes do Talibã propuserem, sendo um Tratado de Paz do ano de 2020 para retirar
suas bases militares do país, caso o Talibã cumprissem todas as regras desse
tratado.
Joe Biden foi apressado ao pote e a maneira que
foi conduzida esse retirada gerou toda a confusão que estamos presenciando.
A credibilidade dos Estados Unidos ficou abalada
mundialmente, com essa saída abrupta, e deu espaço para que a China e Rússia
fiquem mais próxima do regime existente no Afeganistão - em especial a China
por interesse na infraestrutura na região.
Quando chegou o evangelismo no
Afeganistão?
Segundo Eusébio de Cesareia, pai da
história primitiva da igreja cristã, os apóstolos Tomé e Bartolomeu
evangelizaram o Noroeste do Afeganistão no século 2.
Com o tempo o cristianismo foi decaindo
devido à forte influência de correntes radicais de alguns islamitas e hoje não
se tem relatos oficiais de igrejas cristãs no país.
Missionários
no Afeganistão
A situação do povo sempre foi caótica
desde de 1996, quando Talibã tomou totalmente o poder no país. Devido as suas
aplicações de leis rígidas as pessoas eram julgadas à revelia, todos deveriam seguir o
toque de recolher que acontecia a partir das 18 horas, os jovens não tinham
nenhuma perspectiva de vida e a única alternativa era participar da guerra como soldados
do grupo Talibã.
A economia do país afundou após a saída
dos soviéticos e a moeda local era extremamente fraca, muitas pessoas passaram
a mendigar por comida ou por um pouco de dinheiro e a expectativa de vida da
população era baixo em torno de 40 anos.
As
mulheres eram as suas maiores vítimas, pois não tinham liberdade de sair de
suas casas sem a companhia de um homem, não podiam estudar, não poderiam ter
atendimento no sistema de saúde caso o médico fosse do sexo masculino, eram obrigadas a
usar a burca, não podiam trabalhar e muitas casavam antes dos 16 anos de idade forçadamente.
Se a situação para o povo era difícil
para os missionários cristãos não deveria ser diferente ou até mesmo pior. Tanto os
homens cristãos como as mulheres cristãs enfrentavam graves ameaças, como:
morte, assassinato, prisão, tortura ou isolamento.
As mulheres cristãs sofriam, além dos fatos
citados acima, de abuso físico e não tinham autonomia na sociedade e nenhuma
liberdade financeira. Caso expusessem a sua fé poderiam morrer ou se tornarem
escravas sexuais.
Afeganistão agora
O povo
ainda tinha um pouco de liberdade com a presença americana, mas com a retirada
de suas tropas no país mais o fato de os EUAs terem gasto milhões nas
tarefas militares, mas não houve uma ajuda econômica e humanitária na mesma
proporção de forma a criar um estado nacional unificado, o terror do passado
volta a mente de todos os cidadãos afegãos.
Representantes
do Talibã, porém, afirmam que não agirão da mesma forma como em alguns anos atrás, mas o que se têm
praticado não condiz com o que dizem, já que muitas mulheres estão sendo
impedidas de retornar aos seus postos de trabalho e as pessoas não têm as
mesmas liberdades de outrora.
Relação China e Afeganistão
O Afeganistão fica no meio da Ásia
entre a China, Paquistão e Irã. Devido a sua proximidade com o território chinês e
a sua localização estratégica - sendo uma passagem entre o Orienta e a
Ásia - há um grande interesse econômico e político entre os dois
países.
Contudo a
China já atuava no país no setor de energia e mineração e mantinha uma
relação diplomática e econômica desde o governo do ex-presidente Ashraf Ghani.
Se o Afeganistão se firmar politicamente a China deverá investir ainda mais no país,
podendo se tornar o seu maior financiador.
“É
possível que a China desenvolva uma assistência de segurança para o regime do
Talibã no futuro, mas não acredito que isso ocorrerá agora”, disse Laurel
Miller, diretora do Programa Ásia do International Crisis Group, uma
organização independente cujo objetivo é prevenir guerras e moldar políticas.
Ainda é cedo para afirmar como será daqui para
frente as relações entre China e Afeganistão, mas é certo que o governo chinês está
demarcando o seu espaço na região deixada pelos EUAs de forma tão apressada e
desastrosa.
O que fazer pelo Afeganistão?
O que se deve fazer neste momento é orar e jejuar por esse povo e pelos
demais irmãos e irmãs que vivem nesse país tão hostil.
A possibilidade de aliança com a China, que também tem em seu histórico perseguição aos cristãos, pode torna-lo ainda mais arriscado para o projeto de evangelismo.
Talvez não entendamos completamente essas e outras ações em seu contexto global, mas o certo é que devemos buscar a direção
em Deus através das nossas orações, leitura bíblica e nunca deixarmos de proclamar fé.